sábado, 2 de junho de 2012

O dilema do segundo filho: tê-lo ou não tê-lo, eis a questão...


Essa semana, ao final de uma reunião de trabalho, já naquela hora que a conversa descontrai e vai pro lado pessoal, começamos a falar de filhos e irmãos e eu comentei que, provavelmente o Pedro será filho único (logo mais vou discorrer sobre o tema). Foi quando eu ouvi uma frase muito tocante de um dos participantes da conversa: "Eu não gostaria de ser filho único: meus irmãos são diretamente responsáveis pela pessoa que eu sou hoje".
Aquilo me tocou. Pela sensibilidade, por ser uma constatação óbvia e crua e por ser lindo.
O tema "segundo filho /  irmão" é algo que eu tô ensaiando faz tempo pra falar por aqui e que hoje, dada a insônia e ao silêncio (delícia) da minha casa, resolvi falar.
Eu tenho uma teoria, que pode (na maioria das vezes o é) ser criticada e desmentida por muitas pessoas, mas eu acho que não se ama igual a mais de um filho.
O que por aí se fala como "afinidade", eu vejo uma forma politicamente correta de não dizer que é amor.
Tentarei explicar: na minha cabeça (de mãe de único filho, é bom lembrar), o primeiro filho é algo mágico, esperado (mesmo q não tenha sido efetivamente planejado), único e que provê a experiência, as maravilhas, as dores e até as decepções de ser mãe. É com ele que aprendemos a ser mãe e é um amor que até dói.
Meu maior medo e talvez o embasamento para minha decisão (atual) de não ter mais filhos é o de que eu acho muito difícil amar alguém mais do que eu amo o Pedro.
É um troço muito louco, eu sei...
Além disso eu tenho uma série de outros medos egoístas:
- de não ter tempo de dar atenção para dois
- de não ter paciência e virar uma louca estressada
- de não ter dinheiro pra prover dois
- de não ter tempo de cuidar de mim
- de não poder mais fazer programinhas com o marido (quem vai querer ficar com 2 crianças???)
- do meu filho achar que eu não gosto mais dele
Mas eu também tenho temores por ele... tenho medo:
- que ele um dia fique sozinho na vida, qdo a gente faltar
- que ele seja uma pessoa mimada, egoísta, egocêntrica...
- não ter com quem compartilhar confidências no meio de uma madrugada sem sono
- não tenha de quem pegar no pé
- de ser o único culpado de tudo que acontece na casa
- não seja exemplo pra ninguém
- não tenha com quem jogar
- que ele não tenha sobrinhos e consequentemente não saiba a alegria que eles nos dão...

Eu tenho irmãos e sei q eu sou quem sou também por causa deles. Tenho relações muito diferente com cada um mas os amo, do fundo do coração.
Meu irmão sempre foi o herói, meu exemplo, às vezes meu pai. Os 10 anos que nos separam foram determinantes para essa relação. Durante muito tempo ele se referiu a mim como “irmazinha” pros amigos, que qdo me conheciam viam que eu não tinha 5 anos e sim 15. Teve ciúme do meu primeiro namorado e ficou sem falar comigo uma semana. Eu tive acesso de choro qdo ele disse que ia casar pq na minha cabeça ele estava me trocando (e eu tinha 20 anos..). Nunca brigamos.
Minha irmã ficou traumatizada qdo eu nasci (kkkkk), afinal eu roubei toda atenção dela. Crescemos praticamente juntas, são só 4 anos de diferença. Ela foi a pessoa com dividi brincadeiras, conversas e acessos de riso de madrugada, até que meu pai ia até nosso quarto mandar a gente ficar quieta! Ela me ensinou a ler. Ao contrário do irmão ciumento, dava maior força pra eu namorar, saímos de casalzinho inúmeras vezes. Pegávamos roupa emprestada uma da outra. Brigamos um monte de vezes.
Mas preciso confessar que às vezes essa relação de irmãos dá ‘pobrema’. Rola estresse, rola um monte de ruído de comunicação que no fundo uma conversa resolveria e, sim, eu penso nesses estresses qdo me pego pensando ou falando de segundo filho.
Tenho amigos filhos únicos. Tenho amigos que têm irmãos. Desses tem aqueles que não se dão bem e tem aqueles que são companheirões. A esses, especificamente, confesso que tenho uma invejinha branca (Valdir..rs), pois eu queria que os meus se dessem melhor entre si... 
Nota da autora: caso meus irmãos estejam lendo isso, sobre esse tópico específico, não quero entrar em detalhes nem aqui, nem em comentários, ok? Roupa suja lava em casa,heheheh. A frase tá aqui pra contextualizar, ok?! Agradecemos a compreensão..

Tenho algumas amigas que têm mais de um filho, algumas que estão atualmente grávidas do segundo filhote e juro que as admiro, pois elas, aparentemente, não têm esses medos todos, talvez bobos e sem sentido q eu tenho.
Talvez eu mude de ideia um dia. Talvez não.
Talvez eu tenha razão. Talvez não.
Talvez eu reflita e veja que tudo isso é uma grande bobagem e que eu devia prover mais descendentes “Santana Bruno” pro mundo...

Pois é... eu disse que o barato era louco...

6 comentários:

  1. Danielle Bottazzo2 de junho de 2012 16:03

    Essas reflexões também fazem parte do meu dia a dia, mas ando chegando a conclusão que todas essas dúvidas um dia vão passar e nossos filhos já vão ter passado bons anos sem um irmão para dividir as alegrias e tristezas :(

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  2. Pô Pri... vc com insônia escreve maravilhosamente. Deveria ficar sem dormir mais vezes. De vez em quando penso no tema também (apesar dele estar 100 por cento decidido aqui em casa). Você conseguiu listar muito bem as dúvidas prós e contras. Beijão.

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  3. Pri com certeza esta nota que vc colocou sobre irmaos de nao escrever, roupa suja se lava em casa foi pra mim a DIRETA Poi eu assumo que gosto de escrever minhas opinioes doa a quem doer.Mas sobre este assunto irmaos prefiro nao fazer comentarios pois cabe a cada um fzr suas reflexoes ....pode ficar tranquila!!!!!

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  4. Irmã, é q o tema aqui é outro. Mas vc podia comentar sobre minhas lembranças de vc, que são lindas e não se prender ao resto. bjssss

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  5. Que texto maravilhosooo

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  6. Amei o texto!
    Tenho um filho de 1 ano e 4 meses e são exatamente essas as dúvidas sobre o segundo filho.
    Volta e meia eu e meu marido falamos sobre isso e sempre fica a dúvida..
    Pode ter certeza que você não está sozinha nessa.. hehehe

    Ótimo texto! Parabéns!

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